Vou falar sobre a abertura Rio 16, sim!

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Isto aqui ô ô é um pouquinho de Brasil ia ia…

Quando ouvi a voz de Paulinho da Viola começando o hino nacional, as lagrimas já me vieram aos olhos… Sim, me emocionei logo de primeiro, percebi então o quanto estou magoado com o meu país, tão lindo e tão abençoado.

Muitos os momentos me foram marcantes e tenho certeza que para muitos brasileiros e brasileiras. Fernando Meirelles não mentiu quando cutucou aquilo que chamamos de Bol… (não vale a pensa escrever o nome), a apoteose dos atletas foi liderada por modelos transexuais e uma delas foi Lea T, todos em triciclos decorados puxando um espetáculo único. Foi lindo ver nossa biodiversidade bem construída e representada em cena… Elementos geométricos e acrobáticos deram lugar a passagens que compõem nossa historia e a miscigenação de nossa composição, índios, imigrantes europeus, africanos, árabes e asiáticos.

Tudo muito colorido, cheio de efeitos de luz negra e fogos de artifícios. De repente vemos Santos Dumont e o NOSSO 14 BIS. E Gisele desfilando pela ultima vez e pela passarela mais longa de sua carreira ao som de “garota de Ipanema”, exuberante de vestido inteiramente de paetês dourados e sobre os traços de Niemeyer.

Ele não poderia faltar, ou eu diria, eles. Duas gerações juntas no palco; Caetano, Gil e Anitta. E teve quem criticou a presença dela, eu achei oportuno. Ela fala com a grande massa, e Ivete já está manjada. Já eles (não podíamos ficar sem), o senso crítico e histórico do país agradeceu e aplaudiu a escolha. Musica de perfeita escolha, Ary Barroso e sua “Isto Aqui O que É”. Ver o morro, as mulheres negras, o “empoderamento” feminino; o apelo de Regina Casé por mais tolerância e respeito às diferenças, foi de tocar lá no fundinho.

As escolas de samba me levaram para o camarote do sambódromo deste ano, minha primeira vez. Somos sim um país que sabe fazer festa. Somos sim um povo festeiro. E qual o problema?

Chorei em ver o espírito de união, em ver os atletas festejando a oportunidade de competição saudável e sustentável… Certa vez uma professora me disse que o esporte poderia salvar o homem e eu questionei. Sempre achei que só os livros tinham esse poder, mas não. Hoje sei que não.

Gargalhei quando percebi que Temer (o que se diz presidente) teve apenas dez segundos de discurso e terminou vaiado, e eu aproveito a oportunidade: #FORATEMER.

Quando Guga entrou, cai mais uma vez em lágrimas, eu era criança quando esse cara levava o nome do Brasil para o mundo e tornou-se o melhor do mundo por longo tempo… E só de lembrar Hortência carregando a tocha (que eu algumas vezes vibrei por ter sido apagada em Angra), enchi o peito de orgulho. Ela foi outra que engrandeceu o nosso país nas competições mundo a fora e então, achei justíssimo Vanderlei Cordeiro acender a pira que levantou um imenso e lindo sol. É, chorei… Fiquei muito emocionado pela grandiosidade da coisa e então entendi, minha magoa não é com o país, nem com o povo; tem muita gente boa aqui, somos sim um POVO grande; em subdesenvolvimento ainda, mas GRANDE, LINDO.

Estou magoado com a engrenagem, com a corrupção que nos impede de ser potencia. Magoado com a falta de investimento em nós mesmos. Estou magoado com uma raça conservadora e mesquinha que nos impede de sermos o que podemos e merecemos ser. Ando muito pessimista com relação aos rumos do país, mas não posso me deixar levar por essa onda. Antes de escrever isso, vi tantas criticas sobre a abertura, sobre o dinheiro gasto e tantos “mimimis” e “blablablás”, de coxinhas e petralhas. A única coisa que pensei foi: já que sai do nosso bolso e não temos nenhum retorno, antes num evento maravilhoso como este, que nos leve positivamente para o mundo; que não acredita em nós, do que no bolso de todos esses com quem estou (estamos) profundamente decepcionado (s). Não é o Brasil, é uma pequena parcela de brasileiros, uma corja. Uma hora a gente aprende a revidar. Aprende sim, já estamos em processo. Quem não gostou, devia ficar quietinho e deixar o país ser aclamado quando merece ser.

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