Travessia

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Quanta coisa deixada para traz, abafada sem medo. Ir… Ir… Não vagar, apenas ir. Foi a única razão real dos desapegos: não me tornar uma réplica mal feita de uma história que não deu certo. Não deu! O cérebro é realmente um senhor muito poderoso, sem encantos, você o condiciona e pode apagar uma vida se quiser. Basta condicioná-lo a isto. Esquecer e não viver. Não sofrer. Seguir como se nada tivesse existido… Não por muito tempo, mas pode. Você aprende a conviver com pensamentos e filosofias novas. E a novidade sempre provoca sensações entorpecentes em todos nós. Assim, se vai… Sem apego, sem memória, sem raízes, sem historia, em frente…
Até quê, por algum motivo, você se depara com o passado. E como num passe de magica sua memória é ativada e tudo volta à tona. Tudo, em um segundo. Quando isso acontece percebemos que não se apaga uma historia, por isso é historia. Sabores invadem nosso paladar, cheiros nos transportam para outro lugar, as frases prontas nos lembram alguém. Tudo aquilo que deixamos de mexer por anos, bem diante de nós… Então você lembra das coisas boas, dos retratos, das alegrias e entende definitivamente que onde estivermos, tudo vai ser bom e ruim. Faz parte do equilíbrio do mundo, nada é isto ou aquilo: é isto e aquilo também. Eu passei por isso, e tive por vontade própria um grande reencontro com meu passado. E a grata surpresa de me sentir querido. Nunca me senti tão amado. A vida reserva muitas idas e vindas, é clichê, mas é verdade. É hora de travessia, do novo “de novo”, de virar mais uma pagina da minha vida e escrever um novo capitulo – dessa vez sem deixar para traz o que me trouxe até aqui.

(A imagem pode ter direitos autorais)
Escrito em 2 de novembro de 2015 e quase dois anos depois o texto torna-se atual.

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