Tenho comigo as lembranças do que eu era.

by

Em 1.981 Milton nascimento lançou a canção “nos bailes da vida”, eu não era nem nascido, mas já estava a caminho…  Que música!  Sou apaixonado pelo Milton, o verso: “Tenho comigo as lembranças do que eu era”; mexeu comigo e me trouxe reflexões preciosas sobre esse momento da vida. Momento em que passado os trinta anos a gente já começa a deixar algumas coisas para trás e, talvez, seja a hora em que entremos no processo de apropriação de nós mesmos. Só vai me entender quem tem mais de trinta. Trinta ainda não. Mais de trinta. Vou discorrer um pouco mais…

Interessante como as verdades vão se desconstruindo e os gostos vão mudando… uns vão refinando, outros ficam presos a determinada época (o que não me importa); enquanto que alguns outros seguem a banda que passa. Digo isto por causa do café que sempre fui amante, para cada texto uma xícara de chá cheia de café; e com bastante açúcar. Era só café. Ano passado tive alguns problemas sérios de saúde e tive que ficar sem tomar.

Parei.

Há pouco tempo fui liberado, posso tomar uma xícara de café e não de chá, por dia. Fiquei feliz, oras… Já é alguma coisa. Conversando com meu dentista, descobri que ele também ama café e começou a me ensinar mais sobre saborear o pretinho. Sem açúcar, água filtrada ou mineral… Nunca pensei! Foi só acostumar o paladar e não é que faz diferença? O vinho tinto seco era meu preferido como da maioria das pessoas, mas não sei… Não tem descido legal, e não importa se português (meu favorito), italiano ou francês (não, eu não gostava dos chilenos e nem dos argentinos). Parece descer quadrado. Parti para o branco, está mais gostoso apreciar e não tenho me importado com o prato. E daí se a ocasião pede vinho tinto seco?

Perfumes, eu usei por tempos o mesmo e depois aderi à mania de usar vários, uma para cada estado de espírito ou conforme o clima. Deixei todos acabarem, estou no ultimo vidro e? Logo vou voltar a usar o perfume que eu mais amo e continuarei usando-o pelo tempo que quiser. O que quero dizer é que a música me fez lembrar exatamente quem eu era. As pessoas mudam. Mudam sim, quando querem. Mudar é diferente de amadurecer. Ao me olhar percebi que não mudei muito, mas venho amadurecendo. Estou respeitando a mim mesmo. Deixando de questionar tantas coisas, de ter tantos porquês em mente. Olho para as pessoas como elas são. Se eu for entender todo mundo, estou perdido. Se eu for entender porque algumas pessoas me incomodam, também estarei arruinado.

Penso que se quero entender todo o mundo é porque busco a aprovação, a aceitação de todos os terráqueos.

Mas estaria eu me acomodando?

Estaria eu deixando de querer evoluir ao não querer agradar?

Acho que não. Não mesmo. Quem disse que isso é evolução?

Não sou da turma do politicamente correto e menos ainda da turma que quer salvar o mundo, o mundo nunca será salvo. Nessas lembranças visitei aquele menino de dezenove anos que fez magistério e não seguiu a profissão. Estive com ele quando foi para uma área dentro de um universo que ele dominou muito… Mas vi também esse menino crescendo cheio de insatisfações e fazendo escolhas que não deram bons frutos, mas o ajudou a sobreviver a ter experiências suficientes para entrar no caminho do amadurecimento. Nos últimos doze anos eu estudei muito para o meu trabalho, e ano que vem aos trinta e três anos (que completarei), vou me aventurar por algo novo. Uma nova faculdade. Desta vez, para mim. Por mim. Com desejo, com curiosidades mil. É o inicio de um novo ciclo de mudança que só vem com o amadurecimento. Tudo de novo? Sim… Mas não vai ser igual: vai ser libertador. Termino com mais um trecho da canção do Milton e quem sabe ele te faça refletir sobre os rumos de sua vida:

Foi nos bailes da vida ou num bar
Em troca de pão
Que muita gente boa pôs o pé na profissão

Comentários

comentários