Subentendido

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Já havia cogitado temer aquela sessão no supermercado… Ontem estive lá… Impossível não visualizar a cena diante de mim… Você lá. Tivera eu coragem de te escrever uma carta expressando essa bagunça que reina em mim todas as vezes que penso em você.

Não tenho.

Você não estava lá, que agora é passado… Foi-se… estava lá, mais atrás do passado. Estava no antes, e agora; não está aqui no meu “agora”… Está se apagando pouco a pouco… Diminuindo… Esvaindo-se… Perdendo a importância.

Só que as lembranças estão aqui e me pego pensando, sentindo – querendo. Quem diria que na minha fase “mais” Cazuza, onde convites não me faltam, gente ligando também não, eu desejaria alguém que não me deseja. Resolvi escrever sobre você, porque, hoje acordei com você na cabeça, na pele, desejando sentir no paladar…

Acordei querendo o por do sol… Mais clichê que isso impossível! Quero violetas… Acordei sem ouvir o “bem te vi”… Falta poesia… Falta melodia… Faltam as certezas… Tudo isso, porque ontem comprei aquela bebida que “a gente” adora… “A gente”? Acho que nunca fomos o coletivo, nem plural… Fomos dois singulares se apoiando um na fraqueza do outro… Você fugiu e se perdeu… Agora não sei se quero te encontrar…

Melhor seguir assim… Seguir… Só isso… Seguir… “tentar ficar amigos sem rancor… a emoção acabou”, sábio Cazuza. Dizer que não existe rancor, pra que? Ontem eu fui ao supermercado comprar aquela bebida e você não estava, naquele lugar, onde estive pela ultima vez contigo… Tudo normal, aquele corredor não tinha encanto – era frio, era consumo… Naquele instante entendi o nosso singular… E que fique assim, subentendido. 

Texto escrito originalmente em 2012

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