Sonhos de plastico

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Caos… A cidade está tomada. Poucos são destemidos suficientes para sair a ruas, é preciso, ficar trancado em casa por tempo indeterminado, mesmo não sendo plausível. O rapaz magro e alto, corajoso saiu de seu pequeno apartamento próximo a Avenida São João… A cidade parecia um pandemônio, pessoas escondidas, encolhidas nas calçadas, nos buracos escuros. As caçambas nunca foram tão aproveitadas, dessa vez, por entulho humano. O rapaz de pele branca e barba por fazer – anda pela escuridão azulada e sem iluminação das ruas. Aqui e ali a tampa de um bueiro é cuspida pelo fogo. Explosões… No submundo… No subterrâneo, explosões. Nos corações explosões de dor… Não há socorro, ninguém presta ajuda. Nada o que fazer há não ser andar por entre as sombras para não ser identificado.

Tudo tomado… Humanos no poder. Racionalidade pura por traz das estratégias. O rapaz anda e entende o desespero. Ele que sempre buscou a modernidade não gostou do que viu. Os bares estão vazios. Os hospitais cheios… Não há mais sol. A lua está caída. As estrelas ainda mais distantes. O amor é lenda. Choro. Desespero. Falta de esperança. Quase não há oxigênio entre um prédio e outro. A solidão, a carência reina nos apartamentos de pessoas individuais – individualismo absoluto. Desaprenderam a conviver. Não conseguem se envolver. Copulam quando o corpo pede.

O rapaz embasbacado percebeu que nesse mundo, no meio desse caos é necessário mais do que, coragem. É “preciso” covardia para; voltar para sua casa. E assim o fez. No seu apartamento de um quarto e banheiro ligou seu computador  e entrou na rede. E lá estava o mundo maravilhoso. Sorrisos. Baladas. Pessoas dignas. Trabalhadores. Carros. Mares e viagens. Turmas de amigos. Tudo dentro do contexto, tudo dentro da rede. A vida linda no imaginário das pessoas. Os sonhos de plástico nunca foram tão reais… Ele então percebeu, que alguém ou alguma coisa precisaria ser feito para o cemitério lá fora… Entristeceu-se, desejou arduamente que existissem os super-heróis.

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