Somos o que nossas mães fazem da gente?

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Dia de folga, comilança pós natal, piscina, cineminha… Coisa melhor? Quando trata-se de cinema nacional, por mais que se seja fã e se torça pelas produções brasileiras, é sempre uma incógnita. Quando falamos de produções da Ingrid Guimarães, é risada na certa.
Dessa vez ela nos presenteou com o mais clichê dos temas: mãe. O filme foi inspirado no livro da Thalita Rebouças (até então eu nunca tinha ouvido falar, dizem ser um sucesso). Se ri o filme todo e a gente se emociona também, rápido e sagaz o roteiro de “fala sério, mãe!” nos leva a grandes prazeres vividos ao longo de nossas vidas e coloca a gente cara a cara com o ser mais encantador e misterioso do universo, a mãe.

Sempre que vejo nos filmes as mães que geralmente são as mesmas mães das minhas amigas, dos meus amigos, e que são as mesmas amigas que se tornaram mães e que presenciei a mudança de comportamento ao entrarem nessa troca de identidade. Cresci querendo ter uma mãe como essas dos filmes, dos coleguinhas de escola… sempre desejei… Esperei que mesmo ausente minha mãe fosse uma mãe. Não tive essa sorte…
A minha sempre foi ausente e não teve nada de mãe. Foi um horror… Cresci vendo a relação de mães e filhos como se fosse um filme diante dos meus olhos e me realizando nelas. Não entendia aquela relação de mães e filhos nas novelas, em casa tudo era o oposto, parecia um jogo de campo minado, uma batalha travada todos os dias com aquela que tínhamos que chamar e respeitar como mãe. Uma guerra, um verdadeiro inferno… Os problemas sérios que meus amigos tiveram com suas mães não são nem de longe parecidos com os que eu tive. Segundo minha terapeuta todos tem um ideal de mãe e que por causa desse ideal é que as críticas da mãe real nascem. Eu nem uma mãe ideal pude construir, não deu, não conseguia. Meus amigos pseudo-críticos vão achar que estou me vitimizando, e eu tô cagando: ninguém viveu o que eu vivi.

Mas saindo de mim, o que quero dizer é, que não existe só mãe boa no mundo, existem mães do mal também… Contudo, a maioria das mães são divinas… todas cheias de muitos defeitos, mas quem não? Existe uma grande diferença entre defeito e perversidade. Se sua mãe tem defeitos ame-a muito por isso, muito. Aceite que ela vai te envergonhar, vai te magoar, vai se meter na sua vida, porém, ela vai te amar para sempre e não importa o que você faça, concordando ou não ela vai estar ao seu lado nem que seja para dizer: não quero isso para você. Ame sua mãe por isso, sempre.
Agora se você tiver uma mãe perversa, corre, foge e se esconda, desapareça… siga sua vida contentando-se em ver a verdadeira relação de mães e filhos na vida dos amigos, nos livros e nos filmes. Uma vez me perguntaram qual era o personagem que eu mais gosto no meu livro (as lembranças que não quero esquecer), nunca respondi por achar deselegante com minha própria obra, entretanto, é pela personagem mãe dos protagonistas Beto e Valentina que nutro um imenso carinho. Acho que consegui criar um ideal de mãe pra mim…

O escritor e filósofo norte-americano Ralph Waldo Emerson escreveu certa vez que, “os homens são o que as mães fazem deles”, será que ele tem razão? Acredito que sim, elas são nossa válvula propulsora mesmo sem boas intenções, acertando ou errando. Aprendi com a minha tudo o que eu não gostaria de ser e nem viver… E antes que me julguem: não, não odeio minha mãe. Só tenho consciencia e aceito que algumas relações são destrutivas e é melhor não vivê-las.
O filme mostra em linguagem adolescente que elas são sempre muito parecidas e diferentes ao mesmo tempo e que serem assim é seguir os padrões de normalidade na criação de seus filhos. Sendo mais presente ou ausente, se ela é normal: agradeça.
Lembrem-se que existem pessoas no mundo que gostariam de ter uma mãe de verdade para amar.

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