Se Deus quiser…

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Voltando do trabalho virei na Rua Augusta saindo da Caio Prado, estava uma noite agradável de clima misto.

O dia não tinha começado bem, entreguei documentação no hospital, tive problemas com tanta burocracia. Não desisti e consegui concretizar quase todos os meus objetivos na manhã daquele dia.

Cheguei no trabalho e alguns problemas de praxe para resolver e um leve pepino…

Estava cansado aquela noite e já chegando em frente ao restaurante Cana Brava, ainda em cima da ponte que dá vista para a entrada da radial; uma moça bonita me olhou e diz de forma bem articulada e cara cerrada, “vai tomar no cú” e passou. Parei, “o que eu fiz?” e olhei para trás; nada, ela continuava andando. “Será que foi comigo”. “Será que ela falou para mim? Deus!”.

Depois de um dia de cão eu ainda ouço de uma estranha, quem sabe esquizofrênica, “vai tomar no cú”. Foi para mim, ela me olhou bem nos olhos e disse com todas as letras.

Virei na Martinho Prado, ouvi um cara falando para outro no celular “ela não curtia pernoite, só quis as três horinhas mesmo, primeiro date, né cara, sabe como é”. Pensei, “que menina trouxa, tão gracinha ele”.

Na rua aquele pingado de gente, as muitas luzes e um ônibus virando para subir a Rua Augusta. Atravessei o cruzamento da Anhandava, resolvi passar no minimercado comprar algo para o jantar e a moça não saia da minha cabeça, decerto teve um dia difícil e queria mandar o chefe, o pai, o namorado ou a amiga para àquele lugar; não pode e mandou um estanho, “espero que esteja mais aliviada.

Atravessei a Japurá e antes de entrar no minimercado avistei um homem lindo, um homem saboroso e me ocorreu de que eu podia ter voltando atrás da moça e ter dito, “garota, você me desejou o mal? Quero te dizer é que no que depender de mim eu vou sim e se Deus quis ainda hoje”. O cara passou ao meu lado na faixa de pedestre, um cheiro tão bom. Pensei, “hoje entra para alguém, com certeza”.

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