Saudade nossa de todo dia…

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Quanta alegria ainda hei de viver? Quanta alegria ainda há por se descobrir? Quanta alegria ainda há de existir? Só o senhor Tempo, sábio irônico  e fraterno responderá. Sinto cá saudade de dias de lá, daqueles sorrisos, muitas pessoas, daquela poesia. Que saudade daquela sensação! Da ventania. Do passarinho. Do cheiro, ah, o cheiro! Sem saudade dos velhos amores, mas saudade sim, de todos os amores. Que beleza eram as amizades. O que está acontecendo com a gente? Tempo que corre tranquilo feito rio e a gente insiste em querer ir mais rápido que ele, seja a remada, a nado… Saudade daquele tudo, e do nada de outros dias. Sinto saudades de quando criança e da pré-escola, é eu sinto. De um tempo que se foi, mas que vive. Que queima na pupila que já não dura. Saudade das piadas mal contadas, das brigas por musicas preferidas, a estrada. E do carnaval com lança-perfume. Eh, tempo bom! Tempo que foi ontem, e se desfez rápido demais. Poeira pesada como areia que se acumula com o passar dos anos pelos cantos junto com os livros. Saudade daquele apartamento e do azul do sofá… Da vista e da varanda… Não temos mais tempo… Sentimos saudade, de dias que ainda virão. De encontros desafinados que ainda teremos… O que é esta saudade para você que me lê? Será a mesma que todo mundo sente? Tratar de saudade é o mesmo que falar de passado? É viver por lá? É deprimente ou um sorriso frouxo, ameno de quem soube aproveitar o que viveu e não se arrepende de ter vivido até a última gota? Não se briga com a sensação, a riqueza de uma saudade num sábado qualquer. Renato, o Russo; certa vez cantou: temos todo tempo do mundo… Somos tão jovens, jovens!!!

E somos… A gente só se esquece disso. E não deveria.

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