Que graça tem a vida?

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Pergunta simples para os otimistas e demasiado complexa para os pessimistas. Já para os filósofos, a vida, não tem definição única. Temos quase que por obrigação, ou quem sabe esteja na nossa essência, o buscar… O buscar sentido para a vida e ao mesmo tempo que viver é maravilhoso – precisamos encontrar os porquês. Criamos até quem nos criou por não acreditar que apenas existimos. Tiramos do verbo fazer a ação na qual nos faz acreditar que, para fazer é preciso que se tenha um sujeito que o faça e assim, alguém nos fez. Deus, como isso é pedante: a obrigatoriedade da busca. Buscamos o sentido da vida da mesma forma que queremos encontrar a felicidade.

Mas a felicidade, afinal, o que é?

Isto já é assunto sem fim, mas, ao meu ver, acaba sim. É assunto finito. Aliás, a busca pelo sentido da vida e da felicidade são intrínsecos. A prova de que o homem se apega o tempo todo a ilusão do ideal é, a crença em vida pós morte. Vivem a vida pensando no que o espera depois do túnel. Para mim, isso depende muito do túnel, se é o da estação do metrô consolação, bom, vai dar na plataforma paulista e se for o túnel da Rosevelt vai dar na radial leste e antes dela se entrar a direita, dará na rua da minha casa. E o túnel da morte? Existe? Nunca vi e as pessoas que viram contam a mesma história: tem uma luz branca e forte. Tem mesmo uma luz enorme que a equipe médica coloca em cima de você. Mas a gente prefere acreditar no sobrenatural, conforta; apazigua e nos traz aquela sensação de vitimas da vida. Opa, voltamos a vida… Danadinhas, vida e morte sempre juntinhas – é o antes e o depois… Me perguntei: e o agora, cadê?

O que significa o agora?
Esse agora é facilmente explicável pela juventude de hoje, que confunde “viver o agora”, com justificativas para suas irresponsabilidades e vida vazia. O agora é mais profundo, acabei de piscar para você e você nem imaginou.

Pessoas tolas dizem que só existe uma certeza na vida, a morte; por isso, são tolas. Existem duas certezas: sim, uma delas é que de fato vamos morrer e a outra é a de que estamos vivos. Sentido nisso tudo? Ache e me envie um e-mail contando.

Não teria graça a vida se a felicidade fosse encontrada todos os dias em baixo da cama junto com os chinelos. Se fosse possível encontrar o sentido da vida numa maquina de caça-níqueis… Não existe sentido para a vida, e se existisse não teria graça descobrir. Veja como nos comportamos quando queremos muito saber o significado de uma palavra. O que acontece quando descobrimos o que significa? Queremos muito fazer uma viagem e a adrenalina nos toma de braço dado com a ansiedade. Quando voltamos da viagem? Justamente, por essa razão, que a morte permanece um mistério. Ou quem sabe seja ainda um mistério, por ser apenas a morte, o fim. Deu. “Cabou”. Chega. Finito. Sono eterno. Morreu. Te causei desconforto? Desculpe, parei.
A graça da vida está na nossa vulnerabilidade, nas nossas dúvidas e nos sofrimentos, nos questionamentos, na subjetividade da psique humana e nos pássaros no céu. A graça está justamente naquele calor de verão que você odeia e no prazer que você sente ao sentir o inverno chegar. Sabe mais uma coisa que é cheia de graça? Dar aquela mijada quando se está apertado, quase um orgasmo. Falando em orgasmo, que invenção da natureza foi essa? Delicia demais, se você ainda não gozou, não se permita morrer sem gozar bem gostoso. Você já conversou com um morador de rua? Não? Então faça e descubra quanta sabedoria menosprezada pela sociedade capitalista. E bebê quando nasce, qual o sentido deles terem todos carinha de joelho? Nenhum. As pessoas se matam por ódio, qual sentido nisso?
Agora me diga você, existe algum sentido na vida a não ser viver? Viver agora e para o agora?

Reflito cá, a busca pela felicidade e a busca pelo sentido da vida é uma equação simples de se resolver e funciona assim: acorde e viva. E aí, a gente chupa essa manga ou não chupa?

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