Preso no tempo

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Foram-se…

Assim se foram os dias silenciosos, os breves e os longos; aqueles em que o azul do céu era de impressionar e tinham nuvens. Os que os girassóis eram de pétalas mais amarelas que o sol.

Não ficaram os dias de se sentir bem em frente ao espelho, de passar bom perfume e ir sorrir com os amigos, aproveitar cada piada mal contada, de acreditar nas mentiras dos namorados das amigas que adoravam mentir e você fingir acreditar. Não se transa mais com o toque na pele, o toque é outro; eu me recuso a aceitar.

Acabaram os dias de mente tranquila, de concentração naquilo que se está fazendo, de ler um livro entendendo, querendo viajar nas ondas da própria cabeça. Foi-se os dias que o “para ontem” era passado e o “para amanhã” futuro distante. Tempos esses que deixam saudades pois amava-se mais, abraçava-se sem pudor e sem os medos de se demostrar fraqueza. Abraçar nao era fraqueza, era carinho ou qualquer coisa assim.

O sabor da comida não existe, come-se apenas para engolir, para alimentar-se; sem prazer, um gosto de nada e isso quando não substituimos uma refeição por comprimidos. A sensação que tenho uma so: vivemos tempos loucos, tempos poucos, tempos outros. Outros que me é dificil aceitar.

Como fomos capazes de deixar tudo isso se acabar?

Fácil, tudo foi diminuindo, diminuindo até caber numa tela do celular e é lá que você está. Ansioso, insatisfeito, preocupado e infeliz, aproveitando nela tudo o que devia aproveitar estando livre dela. Afinal, a vida acontece aqui agora, olho no olho, pele com pele superando cada frustração e crescendo com elas… Saudade do tempo que se tinha mais tempo por não ter que perder tempo dentro da tela de um celular.

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