Poucas Palavras.

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Tenho estado sumido, comparecendo pouco com o nosso compromisso de olhar o mundo por um viés de felicidade simples e possível em qualquer lugar, em qualquer momento e colocar isso nessas palavras que nos une, confesso…
A situação do país tem mexido extremamente com meu coração, a minha voz está fraca, também confesso. Essa percepção de felicidade por nada tem se transformado em mim e naturalmente vai se transformar na escrita e no blog. Não temos motivos para muita felicidade, e esse mal estar não é apenas pela situação política e polarizada, eu arriscaria dizer – burra, na qual nos encontramos. Minha felicidade anda permeada por uma tristeza íntima, profunda e constante.
Ando assustado com a falta de amor, a falta de pensamento no próximo (mesmo que mínimo), os preconceitos todos aflorados, o ódio das pessoas sedentos pela barbárie da qual sabemos que somos capazes, já vivemos em outros momentos no Brasil e no mundo. Sim, eu ando com muito medo, não das eleições, mas da manifestação interna das pessoas, falo sim do retrocesso. Falo sim da cegueira vingativa que só visa o capital. Algumas pessoas vão me dizer, mas o capital… Nem termine a frase, não existe capital sem pessoas e todas elas têm o direito de ir e vir e primordialmente de ser e existir. São as pessoas que geram o capital e por isso, todas elas, seja qual for, merecem respeito e direito à vida digna.
Por esses dias ando seco, pensando muito, sofrendo um bocado, mas completamente sem palavras para lhes esperançar. Hoje por acaso ouvi o Chico cantar (não que eu goste da voz dele), mas aquela canção… Bom é essa que vou deixar aqui para vocês, leiam, reflitam (não se esqueçam que tem bastante metáfora nela, depois de tudo o que está acontecendo com o senso interpretativo das pessoas, convém avisar) e se puderem escutem. Eu fico por aqui e te desejo mais amor, ame mais.

Roda viva
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo
vídeo youtube com a música Roda vida do Chico Buarque

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