O natal dos que se permitem

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Quando a vi pela primeira vez ela estava cabisbaixa. Tinha o olhar compenetrado na maquina que manuseava. Era lenta, esperei quase uma eternidade. Não ria e nem pensar em olhar para os lados, o medo de errar não conta?

Ainda mais o meu americano, logo eu que era cliente atigo e barraqueiro exigente e não menos elegante? Essa era a Bianca, esse era o nome que só muito tempo depois eu fui descobrir. Naquele dia ela fez um dos piores americanos que eu já havia tomado. Naquele dia não reclamei, não devolvi…

Naquele dia ela precisa de treino, de erro, de auto-estima. O acerto só viria depois com a prática, claro que poderia não vir… Mas veio. Que bom que veio!

Bianca é a moça de sorriso tímido, olhar saltitante, é a que prepara um americano rapidinho e gostosinho. Mais que isso, é a moça que quis aprender, aprendeu, quis fazer, fez.
Confia no que já sabe fazer e não precisa provar que é boa, ela é. Sou testemunha.

Quem dera existissem mais Biancas por aí, gente que se permite.
Eu em breve vou me permitir muitas coisas deixadas para trás, aprendi a lição e já tomei providências.
Bianca, obrigado por tantos americanos deliciosos.

Feliz Natal. 

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