Não se culpe pelo seu dia ruim

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Será que só uma tragédia, uma doença incurável, a perda de um ente querido e de uma trabalho que se goste ou fim de uma relação é capaz de justificar um dia ruim?

Muitos diriam que sim ou que essas situações são em grande maioria o motivo para um dia ruim, uma semana e quem sabe meses ou anos… Eu acredito que tudo é possível e que na verdade são poucas as pessoas que se importam com seu dia ruim. 

Há dois dias venho sentindo uma mudança no meu estado de humor e para quem não sabe, provavelmente quem me vê muito alegre nem imagina que eu possa estar num estado de euforia causado por uma das minhas 13 patologias. Poxa! São 13 e sérias… É a primeira vez que escrevo abertamente sobre isso e, talvez, seja porque deixei de sentir vergonha. Sou bipolar diagnosticado há alguns anos e se tem uma coisa que eu entendo é de dias ruins. Eles não têm motivos para acontecerem e nem precisamos buscar motivos para justificá-los. Você acorda e lá está ele instalado em sua casa. 

Como lidar com a falta de vontade de sorrir enquanto é isso que a sociedade te cobra? Sua família acha que você não tem problemas. As pessoas esquecem que receber um não para uns não é a mesma coisa que receber um não para outros. Eu vivo isso todos os dias, por mais medicado que eu esteja, por mais que a terapia me ajude a resolver minhas questões. Tudo ainda existe, o mundo existe, as situações controversas que nos expõe a momentos de angústia, desafios, buscas e descobertas que causam uma pancada de sentimentos que nem sempre estamos prontos para enfrentar.

E nos cabe enfrentar, entender, não se diminuir e lutar. Alguns não conseguem por falta de apoio, por falta de esperança, falta de fé, de assistência. 

Hoje eu acordei com vontade de desaparecer, desintegrar, não consegui levantar para tomar café da manhã (mesmo sabendo que não posso por causa da minha diabetes tipo 1). Mas lidando tantos anos com esse transtorno, fiquei um pouco mais na cama e quando meu corpo se sentiu pronto, eu levantei. Tomei um banho e resolvi sair pra rua, me entregar não vai resolver e eu sei que vai passar… Essa é minha primeira crônica do ano e quero mostrar que a felicidade pode estar mesmo em pequenas coisas, ao atravessar o cruzamento encontrei um amigo por quem tenho grande apreço. Dei um abraço gostoso e me senti um pouco mais contente. 

Quero falar mais com você que me lê, que divide uns poucos minutos do seu tempo com o que eu tenho a dizer. Gostaria também de ouvir mais, praticar mais a escuta amiga. 

Só eu sei o sofrimento e quanto estrago o transtorno afetivo bipolar já me causou. Mas tem algo que eu gostaria de dizer: eu nunca desisti de mim. E eu espero que você que tenha qualquer problema, qualquer transtorno: não desista de você. 

Existe os que não se importam  com seu dia ruim. E existe sempre alguém esperando para te ver mais uma vez, sinal que você é importante para alguém e isso… isso aquece qualquer coração.

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