Não existe amor em SP (DOIS OU TRÊS ENCONTROS – PARTE FINAL)

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“Está bem… Pode vir Pedro, anota o endereço”. Com o endereço colocado no waze Pedro partiu ouvindo a cantora Ana Cañas…

Já perto da estação na qual saltaria Luigi lembrou-se das palavras de Pedro quando entraram no apartamento encantado.

“Permita-se Luigi”, “não é tão fácil assim, Pedro, não agora”… Explicou o rapaz amedrontado.

Pedro o abraçou, olhou em seus olhos e os beijos foram leves e desceram pelo pescoço e pequenas mordidas foram dadas nos ombros de Luigi que fechou os olhos entregando-se ao que não queria e sentindo o que não se permitia. A respiração ofegante e as mordidas no quadril e o sexo oral, ainda na sala, sem vinho, sem martinis, sem pó, sem nada… Sentia a maior de todas as drogas, o tremor do corpo, o coração acelerado como efeito do êxtase. E assim a luz da rua cobria aqueles dois corpos que se entrelaçavam e se penetravam como se o mundo não fosse existir pela manhã. E assim, depois da tórrida noite, Luigi sentiu-se vulnerável e teve vontade de fugir e só não se foi por medo de ser taxado egoísta, mesmo assim o fez, na manhã quando não conseguia mais guardar o que sentira. Surto!

“Luigi, o que houve, fiz, disse alguma coisa que desagradou? Me desculpe… Fala comigo”…

O que eu sentia era uma sensação de “zonzeira” de tristeza, tudo misturado ao nojo do meu corpo, estava tudo cinza, parecia que eu tinha me drogado a noite toda. Tive vontade de chorar, não o fiz… Segurei até onde pude e esse “pude” transformou-se em lagrimas a correr minha pele ao ouvir a voz de Charlotte me convidando para almoçar. “Como sou dramático” pensei secando as lagrimas. Novo trabalho, foco novo, vida nova e eu me permitindo o sofrimento, sei bem onde tudo isso vai dar… O filme se repete… Cansei do romance, esgotaram-se em mim esperanças, e agora posso me dizer; ser menos ou mais do que fui… Isso implica em ser moderno, e a pratica do desapego é meu objetivo. Amantes, não um só… Namoros estão falidos em SP, para que insistir num só? Se esse um só há de passar… Não sei o que estou me tornando… Não sei o que dar ao mundo em forma de reparação… Não estou para o engano, meus pés estão bem no chão e para um ser emocional, não sei no que isso vai dar…

Cheguei em casa e Rox estava sentada a mesa da cozinha e já começando a me sentir seguro; sentei e conversei com essa amiga com quem divido o apartamento, essa amiga que os ventos tontos e machucados de SP trouxeram feito presente para minha vida e ali ficamos nós, conversando enquanto ninguém nessa imensa cidade dormia.

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