Manias da gente

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O psiquiatra tratava sobre transtornos obsessivos compulsivos (o famoso toc) na TV, num desses programas matinais e sua explicação era muito clara, objetiva e coerente… O assunto interessou-me.  Fiquei pensando nos meus transtornos (que não são poucos). Segundo o psiquiatra muito do que o compulsivo sente só existe, de fato, dentro da da sua própria cabeça. Eu, por exemplo, tenho a mania de lavar as mãos com frequência incomum e tenho também muitos problemas em apertar a mão das pessoas. Toda vez que cumprimento alguém tenho uma vontade quase, eu disse, quase, desesperada de sair correndo e lavar as mãos. Penso nas bactérias que aquela pessoa carrega nas mãos – não que eu não as respire. Não sei como explicar isto, tento: muitas vezes estou no banheiro publico e vejo muitos homens saírem sem lavar as mãos depois de urinar e igualmente evacuar. Essas mesmas mãos se apoiam no corre mão das escadas rolantes, mãos que apanham dinheiro. Tiram os sapatos, escondem os espirros cheios de bactérias e vírus. Melhor não lembrar, pois, tento o possível para me livrar disto. Mas quando não tenho como fugir de um aperto de mão, eu não deixo de pensar: puta merda! E quando a mão tem sudorese? Fico aflito. O psiquiatra exemplificou alguns transtornos e o de lavar as mãos excessivamente foi um deles. Na plateia todos tinham alguma mania que chegava a ser quase um toc – o toc só é de fato toc, quando é preciso tratamento devido à tamanha falta de controle. O que não é o meu caso e acredito não ser o caso da maioria das pessoas.

Sorte a nossa, manias não são como tatuagens, impossíveis de remover. Com certa dedicação a gente consegue. E as manias saudáveis? Dizem que nosso corpo desidrata durante o sono, o meu não. Ao lado da cama tenho uma garrafinha de água e acordo algumas vezes para me hidratar. Não por vaidade, é cede mesmo. Do meu ciclo de amizades não sou o único.

E as manias feias, será que alguém tem coragem de assumir? Vou assumir uma: gosto de observar os vizinhos. Ridículo não? Pois é, com discrição eu observo. Ninguém imagina, mas é por boa causa; essa observação me rende reflexões e crônicas. Geralmente observo pessoas interessantes – homens ou mulheres e até mesmo casais. Se eu fosse contar o que já vi por onde morei. Até manias que vejo em amigos, mas melhor me conter para não me comprometer. Transtornos obsessivos compulsivos são graves e precisa de tratamento, o problema é que eles surgem sem que a gente perceba. Basta assistir um episódio daquele reality show “acumuladores”,  já o suficiente para ter uma ideia. Será que essas manias estão realmente dentro da nossa cabeça ou compramos a ideia de alguém? Não faz muito tempo coloquei na porta de entrada do meu apartamento uma plaquinha bem simpática pedindo que os convidados tirem os sapatos (tem gente que pergunta: é pra tirar mesmo? Não, coloquei de enfeite), essa mania começou depois que assisti uma reportagem sobre a quantidade de bactérias que a gente trás para dentro de casa nos sapatos. O quanto nossos sapatos são imundos. Carregamos lixo nos pés e nem imaginamos isso e caminhamos pela casa toda infestando o chão com a sujeira da cidade toda. Até então eu nunca havia pensado sobre isso.

A vida da gente é cheia de manias, de repetição de comportamento, de defeitos que a gente não gosta, de heranças dos pais. De reportagens que assistimos. Embora, eu não concorde plenamente com o doutor, acredito que boa parte dos nossos medos são, eu não diria que sejam criados e sim alimentados por nossas cabecinhas descompensadas.

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