Independência ou morte!

by

Em 7 de setembro de 1822, ocorreu chamado “Grito do Ipiranga”, às margens do riacho Ipiranga (atual cidade de São Paulo). Em 12 de outubro de 1822, o príncipe foi proclamado imperador pelo nome de Pedro I e o país leva o nome de Império do Brasil. Resumindo a história (Lembrando que o processo de independência do Brasil começou em 1821 e terminou em 1822; quando aconteceu às margens do rio Ipiranga o simbólico grito de independência).

Hoje estamos completando 194 anos de independência… Que piada!

Tudo parece lindo, romanceado demais. O que temos a comemorar hoje afinal? É a pergunta que acordou comigo.

Quase dois séculos depois deixamos de ser colônia de Portugal e passamos por outros tormentos até chegarmos à colônia de nós mesmos. Ou posso dizer que o Brasil tornou-se colônia dos três poderes? Vamos misturar um pouco as datas e ver no que dá.

Tardiamente fomos o último país a abolir a escravidão no continente americano (acontecimento dado em 13 de maio de 1988), os negros deixaram de serem escravos, e passaram a ter o direito de se misturar (devemos a isso, boa parte da nossa linda miscigenação). Isso é história para burguês ler. O negro continua em desvantagem até hoje. Continuam servindo mesas e limpando a casa de brancos (com salvas algumas exceções). Estou relacionando os dois momentos históricos justamente para falar que deixamos de ser colônia de Portugal (onde 20% das nossas riquezas ficavam para o governo) para chegarmos onde estamos: colônia dos três poderes (quando fica para o governo até 40% do que ganhamos dependendo da sua faixa salarial).

Comemoramos a independência do Brasil com uma escravidão disfarçada de empregabilidade e o negro deixou de ser escravo para ser empregado. E todos os seus descendentes – como eu, você. Afinal, negro naquela época não tinha riqueza (nem como adquiri-la), e se o dinheiro passa de geração para geração de uma mesma família; de forma grotesca é fácil constatar o porquê de tanta gente branca rica ou classe média alta. Comemoramos mais um 7 de setembro e desta vez com um presidente no poder que não foi escolhido pelo voto direto e como vice de um governo eleito diretamente, ele assume destruindo o plano de governo ao qual se aliou e se comprometeu, entregando o país para os ricos, mais uma vez. Estamos novamente nas mãos dos senhores do poder, da classe média alta – a mercê de suas vontades e enriquecendo-os e garantindo seus luxos e impossibilitando a distribuição de renda justa e desenvolvimento das massas. E para os padrões tradicionais e retrógrados em tempos de pura modernidade. Em Brasília teremos o desfile tradicional de comemoração ao 7 de setembro, enquanto que no meio do povo só temos lamentos e descontentamento. Independência ou morte? Hoje seria um dia que se o Cazuza tivesse vivo, talvez eu mandasse um áudio pra ele por WhatsApp: Cazuza, a burguesia a qual você também pertence fede a bunda recém limpa depois de cagar bastante em cima do povo.

Hoje é um dia histórico, relembrar e fazer minha leitura sobre dois momentos da nossa historia, me fez querer deixar uma intuição – há um terceiro momento histórico ameaçando participar deste contexto de hoje se seguirmos a sequencia dos fatos; ditadura pós-golpe parlamentar (embora a maioria da população não entenda o que foi a ditadura militar). Que eu esteja enganado. E no dia de hoje não deixemos de celebrar a estupidez humana!

Comentários

comentários