Foi na solidão.

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Foi na solidão que questionei o tempo e as coisas que nele existem… E na solidão eu perdi as chaves de mim… Na quietude desta solidão encontrei novos questionamentos e como conviver com a escuridão que me habita. A solidão foi quem mostrou a luz que, também existe em mim. Foi na solidão que encontrei o valor da alegria e o como a melancolia nos salva da bestialidade motivacional da autoajuda.

Ela, a solidão, me fez entender o valor da felicidade e mais, essa sensação de “sentir-se feliz” é um estranho estado ou estagio de contentamento que se eterniza quando sentido. Sentir-se feliz emana transcendendo qualquer sentido lógico da racionalização. Me senti feliz a primeira vez estando sozinho. Não existia ninguém, era só eu e as coisas diante de mim. Era eu e o desespero profundo de ser eu mesmo e estar em mim, acorrentando a esta condição única.

Percebi então que projetar minhas carências em outras pessoas é castigá-las covardemente e coloca-las no apuro do próprio fracasso, é dar a elas a responsabilidade que só compete a mim: o de me realizar. A solidão me ensinou que a felicidade é um sentimento privado, que mesmo compartilhado ele é mais meu do que do outro, e o como eu sinto ninguém pode sentir. É na solidão que me deparo com o melhor e o pior de mim e é nela que me enfrento todos os dias, entendendo que não posso fingir o que sou, nem fechar os olhos para o que acredito e sinto.

Está no meu sentir e acreditar, a verdade que me condena a julgamentos hipotéticos e alheios. Dizem os tolos, endossam os sábios: a felicidade deve estar primeiramente em nós. Eu nem tolo e nem sábio, concordo com isso. E o pior é que todas as pessoas concordam com isso, só não vivem isso… Foi solitariamente que percebi que ao aceitar a solidão, aceitamos a condição humana de sermos sós e, nós.

Assim, a felicidade deixa de ser utópica e sai do campo das frases motivacionais e dos livros de autoajuda e se torna atingível. Depois deste entendimento você tira do outro o peso de te fazer feliz e torna-se por si mesmo.  Compreende finalmente que, mesmo tendo amores e amigos, você estará só quando a luz se apagar.

Porém, ainda é um mistério para mim, o como entregar uma proposta assim a alguém, essa, eu diria – liberdade; de que o outro pode ser feliz sem mim e que eu serei apenas parte de um estado de contentamento e não ser sua felicidade.

Como  conseguir esse feito numa sociedade ansiosa e de tanta co-dependencia?

A solidão não tem em absoluto nada de vilã… Ela é imensidão… E foi ela quem me fez perder o medo e me encorajou a desviar o caminho e me libertar de toda relação que acorrenta, ao invés, de ajudar a voar.

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