Éramos Seis

by

Por onde começar quando algo te toca profundamente e te virando do avesso?
Passei dez dias imerso numa leitura extremamente prazerosa. Éramos Seis da Maria José Dupré, de fato, uma obra prima. Ela retrata com tanta delicadeza seu tempo através dos olhos de sua heroína D. Lola. Personagens ricos e profundos, uma escrita marcada pelo drama real da vida. Drama esse que nos leva a refletirmos o hoje, ingratidão, valores perdidos e nos tira lagrimas de alegria, de tristeza e angustia e solidão, mas também de felicidade.
Uma historia contada num tempo de gente menos ansiosa e mais humana. Longe da invenção da internet, da ilusão dos smartphones nocivos a vida era preenchida pela presença, pela conversa, pelas dificuldades. As pessoas se escreviam cartas, era o único meio de comunicação a distância. O livro começa em 1915 e termina em 1942. Éramos Seis trata de algo pertinente a todos nós, a solidão. Como conviver com ela, o que fazer com ela. E nos mostra como o tempo é implacável e a vida as vezes doce, as vezes amarga e cruel.
No mais, ele fala de algo raro nos dias de hoje, amor. Existe amor em cada linha desse livro. Li aos poucos para apreciar cada passagem, cada rico detalhe. Além de recomendar, o que tenho a dizer é que com as lágrimas correndo quando o livro terminou, me senti orfão. Maria José Dupré deixou uma joia no mundo, um presente.

Comentários

comentários