Drama emocional (DOIS OU TRES ENCONTROS – PARTE 4)

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Reparação… Era no que pensava Luigi antes de apanhar o celular e ligar para Charlotte. Antes ainda, ele pensou em Pedro; “me entreguei a você… conhece agora, minha vulnerabilidade”… Os olhos marejados eram sobre aquele arrependimento que o atormentava naquele instante. “Oi, Charlotte. Desculpe pela hora, sei que é cedo, estou angustiado e me sentido perdido, não sei o que fazer, eu acho que não o quero” contou o rapaz a amiga. “Luigi, são onze da matina e você já viveu um drama emocional? O que aconteceu?”, perguntou ela com a voz rouca de quem acabou de acordar e assim estava Charlotte sentada em seu sofá com uma xícara de café nas mãos, fumando seu cigarro com sua gata ao lado, enquanto seu marido ainda dormia. “Transamos”, respondeu Luigi, “e acordei arrependido, ele me abraçava e acariciava quando a luz do sol já nos banhava e eu chorava, gritava por dentro, só queria fugir, correr, não ser mais eu, quis morrer e ele não entendeu quando me vesti correndo e sai feito águia atrás da caça”. “Pensei que vocês já tinham transado. Você precisa mesmo de ajuda, não está normal isso… Não sei o que dizer… Fiquei preocupada, vem pra cá, almoça com a gente…” “Sim, a gente já transou, mas foi a primeira vez que dormimos juntos… Todo aquele carinho. Acho que me desacostumei. Acho que não vou, não sou uma boa companhia, preciso da minha solidão, do silencio e do meu quarto… Falamos mais tarde, só de ouvir sua voz já estou mais aliviado. Beijo”. Desligou o celular e ficou a olhar a paisagem que passa pela vidraça do metro da linha verde de São Paulo. Charlotte que já tinha fumado um cigarro observava o sol, serena em seu sofá, uma tranquilidade difícil de encontrar naquele ser hiperativo. Ela ficou pensando no amigo, torcendo para que ele se acalmasse…

No metro sozinho em meio a tantos, na manhã daquele domingo invernal e ensolarado, Luigi seguia a caminho de casa, sem esperanças e sem o querer de seus anseios. Colocou-se a lembrar…  “Porque foge de mim?” quis saber Pedro do outro lado da linha. “Não sei… Na verdade sei, só não queria te contar… Não me cobre Pedro. Depois da minha ultima tentativa, me prometi coisas, mesmo sabendo que poderia quebrá-las… Segue Pedro, não posso mais, não consigo”. Luigi disse isso olhando o matagal, estava no sitio de uma amiga, esperando a fondue ficar pronto. Sofia aproximou-se e disse: “amigo vem, está servido”, “um minuto, estou com o Pedro” respondeu ele.

“Lu, vamos nos ver, preciso te ver, vamos conversar não aceito o seu – segue – não seguirei sem antes ouvir isso de você, te olhando nos olhos” insistiu Pedro inconformado. “Hoje não vai dar, estou num sitio no interior com a Sofia, vou dormir aqui”. Recusou Luigi. “Não me importo, te pego – vou te buscar… Não me diga não… Por favor…” uma pausa foi dada, e o silencio de segundos ultrapassou séculos e a agonia tomava conta de dois corações, o que queria e o que relutava.

(Continua…)

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