Divertida tristeza

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Interessante como existem filmes que parece que só assistimos em momentos oportunos da vida da gente. Muitos sites tem a mania de selecionar  filmes para serem vistos por determinadas profissões. Não faz muito tempo peguei uma lista que sugere 21 filmes que todo estudante de psicologia devia ver, pasmei; já havia visto a maioria e sou apenas um estudante em inicio de curso.

Entre os muitos filmes estava a animação “Divertida Mente” dos estúdios Disney. Esse filme foi um sucesso de bilheteria, concorreu ao Oscar, não lembro-me se ganhou…

Todo mundo me indicava, deixei passar; alias, como deixo passar várias animações;  não sou lá muito fã. Na última semana uma professora que admiro comentou sobre o filme e então bastou, “tenho que assistir” pensei. Lá fui eu me aventurar… Dominguinho a noite, friozinho e pipoca. Tive uma grata surpresa: que filme inacreditavelmente bom!
O roteiro gracioso que trata, sobre nossas emoções e o equilíbrio delas dentro da nossa mente; reagindo o tempo inteiro aos estímulos externos, me fez refletir mais uma vez sobre algo que em nada me assusta, a tristeza. Levei minha observação a cerca dessa revolta e desprezo que a sociedade moderna criou contra a tristeza. É insuportável sentir-se triste. É inadmissível assumir tristezas em redes sociais, onde, a felicidade e alegria devem estar imperando soberana. Hoje em dia não existe mais espaço para nossos momentos de introspecção e recolhimento… não pode, a vida da gente tem de estar melhor do que a do outro. Ouço a voz da queridíssima Bebel Gilberto cantando Vinicius de Moraes:

“Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza, é preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba não”

Tem dia que a gente não quer levantar da cama, que ficar mudo é um excelente negócio. No ultimo sábado eu estava tão triste, tão triste que quase acabei com a caixinha de lenços da minha terapeuta. Qual o problema de ficar triste? Ela, a tristeza é parte intrínseca dos nossos sentimentos, tão fundamental quanto a alegria. Não acho autentico seguir esse padrão de felicidade fabricado. Bateu tristeza, chore, durma, se recolha, aceite, se respeite e dê atenção a ela, a danada só precisa de um pouco de carinho. Afinal, ela está sinalizando que algo não está bem.

Enfim, chega de autorrepressão e Divertida Mente nos presenteia exatamente com isso… O desequilíbrio das emoções leva qualquer um para buracos vazios. Por isso, levanto uma causa, a luta pelo direito de podermos deixar nossa tristeza falar.

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