CURA GAY

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Waldemar Cláudio de Carvalho, juiz do Distrito Federal, abriu uma brecha apropriando-se da Constituição que “garante a liberdade científica bem como a plena realização da dignidade da pessoa humana, inclusive sob o aspecto da sexualidade”; para determinar que CFP (Conselho Federal de Psicologia) altere a interpretação de suas normas de forma a não impedir os profissionais”de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia”.

Este é o enredo que favorece a tal “cura gay”, já tentada pelo deputado Marcus FelicianA, não faz muito tempo. A notícia provocou uma onda de manifestações em defesa a nós gays, junto com as defesas, muito discurso de ódio dos que defendem “a cura”, e os que NÃO SÃO DOENTES, e os que defendem os NÃO DOENTES.
O discurso de ódio, não deve ser nossa principal arma nessa luta, e sim o de livre expressão, o de apontamento, o de manifestação e principalmente de exposição – sair do armário literalmente. Está na hora dos casais homoafetivos saírem de mãos dadas sem sentir vergonha ou medo. É hora dos héteros que apoiam essa causa provocar o maior beijaço gay da história deste planeta. É hora de colocarmos a bandeira gay nas janelas SIM. De dizer para o filho que a sexualidade se define: opa! Como assim?

Mas será que o hétero quer mesmo comprar essa briga? (Muitos eu sei que sim, não me matem).
 Tenho uma amiga que defende a causa gay, mas várias vezes ela me disse que não gostaria de ter um filho gay, justamente, para que ele não sofresse. SEI! O sofrimento não faz parte da vida do humano, só do gay. SEI!
Sim, a sexualidade vai se construindo durante a primeira infância… A maioria das crianças tendem a ir para a sexualidade reprodutiva, mas outras não. E nisto, implica-se muitos fatores que não vem ao caso agora. O que este juiz de acordo com a sociedade careta e covarde de braços dados com a tradicional família brasileira e respaldada pela “direitopatia” do Brasil, só constrói mais motivos para discriminação e confusão mental das pessoas que tem pré-conceitos estabelecidos pela religiosidade do país.

Para entender: o discurso deles é: o gay pode ter o direito a reverter sua condição, já que a sexualidade é definível, caso assim o deseje – justamente pela liberdade de cada um poder escolher ser o que quiser.
Pois bem, já que a sexualidade se define, então tem reversão? NÃO! Uma vez definida, está definida, não há reversão e sim transformação. E transformação é um processo natural no desenvolvimento humano. Eu posso ser gay, de repente conhecer uma mulher e me apaixonar por ela e viver está história – isso definiria minha bissexualidade. Apesar de que no legado de Freud, nascemos todos bissexuais (por isso afirmo que a sexualidade vai se constituindo). Posso também, ter namorado mulheres a vida inteira e ter sido muito “mulherengo” e de repente me apaixonar pelo meu melhor amigo. Não há cura para nenhuma forma de sexualidade. O que me faz refletir é: podemos ter uma reversão em casos de héteros?

Hoje eu acordei com vontade de deixar de ser hétero, vou procurar um psicólogo. Mas ser hétero é ser normal. Defina “normal”? Heterossexualidade nos leva a reproduzir e sexualidade está além disso, exemplo? Quando um homem tem desejo de levar sua mulher numa casa de swing e vê-la sendo penetrada por outros homens. E a fantasia de muitos homens de ver duas mulheres se bolinando e depois penetrá-las? Isto seria normal para você? Não sei, mas é sexualidade e não reprodução. As pessoas transam apenas para procriar? Quer dizer que a cada trepada um filho? Cadê essa criançada toda? Sendo assim, sexo casual não é permitido. A procriação NÃO está em extinção e nem a homossexualidade impede o mesmo, casais homoafetivos adotam crianças que héteros descartaram.  Mas DEUS não gosta. Quando ele te disse? Está na bíblia. Putz, entendi… você não conhece mitologia grega. Nunca frequentou uma aula de filosofia e história, muito menos faz terapia.  Mas, fica uma pergunta, o que outro ser humano faz na cama te diz respeito? Héteros não passarão por este desejo, claro que não, héteros são aceitos pela sociedade.

Ironias a parte, o psicólogo que acredita numa história estapafúrdia dessas e topa curar a homossexualidade está indo contra o código de ética profissional dos psicólogos, fazendo o inverso que nos orienta o código dos direitos humanos. Não existe CID que defina a sexualidade do animal mais complexo e completo do planeta, o ser humano. Homossexualidade NÃO É PATOLOGIA e esse juiz precisa ler mais, estudar mais ou resolver seus problemas com a sua própria sexualidade. Sexualidades bem resolvidas não intervém na sexualidade do outro.

Como estudante de psicologia quero terminar esclarecendo que ao ser procurado por alguém que quer ser curado, é necessário que o psicólogo tente entender o que desperta a necessidade desta procura. Os medos da auto aceitação, em que momento essas incertezas e dores em se sentir diferente e excluído estão interferindo no entendimento do desejo natural deste indivíduo. E logo os diagnósticos serão encontrados: uma sociedade que tem problemas com sua própria sexualidade. Curar é tratar a dor, mostrar ao individuo que ele pode e deve ser feliz sendo quem é, e não se vergonhar disso.

Num estudo recente liderado por Edward Laumann, da Universidade de Chicago, concluiu que apenas 29% das mulheres chegam ao orgasmo estando numa relação estável. Será que é por que os homens estão muito preocupados com a sexualidade de outras pessoas? (espero ser compreendido neste exemplo e que os politicamente corretos não me matem).Tenho uma amiga com mais de 35 anos que, depois de muitas tentativas e decepções com homens, encontrou muito amor e respeito e sexo maravilhoso com outra mulher. A relação das duas vai muito bem obrigado. É, meus queridos, escrevi um textão: é que sexualidade é individual. E quando diz respeito ao meu corpo, existe aquela frase clichê que diz: MEU CORPO, MINHAS REGRAS. E termino deixando uma pulga atrás da orelha: qual o problema dos homens acerca da feminilidade? Isto é assunto para uma outra oportunidade. Deixemos a vida do outro de lado e vivamos a nossa.

P.S. Brasil, o país que mais mata LGBTs no mundo, é uma vitima a cada 25 horas.

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