Como foi o seu natal?

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Nunca pensei que chegaria um tempo em que as pessoas não iriam mais conversar olhando no olho. Que as relações se tornariam completamente virtuais… Sem o toque. Sem o cheiro. Sem a sensação do existir. As relações humanas estão estremecidas, sempre esteve. O mal do mundo é não entender sua ambiguidade, compreende?! Foi dia de natal, data que o cristianismo escolheu oportunamente para celebrar o aniversário de seu ícone maior, Jesus Cristo. Desfazendo todas as festas pagãs que aconteciam pelo mundo nesta data. E de onde vem essa magia que existe no ar?

Eram muitas as festas e os mais variados motivos de comemoração que ocorriam mundo a fora no final de dezembro. Desde celebração a deuses como ao solstício de inverno no hemisfério norte. E assim, para diminuir a fé das pessoas em outras formas de religiosidade; o cristianismo instaurou o aniversário de Jesus: nosso natal. Comemorado no mundo inteiro. Claro que existe algo de mágico no ar. A energia de celebração permanece no inconsciente coletivo desde aquela época. Mesmo a historia estando ai para contar, a gente prefere acreditar que Jesus tenha nascido em 25 de dezembro ao aceitar que ele nasceu por meados de março.

Mas, o que anda acontecendo com essa magia? Por onde anda as luzes que piscam por toda parte? Lembro-me que nessa época do ano o muito obrigado de um atendimento vinha acompanhado do desejo de feliz natal… Game over! Isto se tornou raridade. Antes era legal fazer as crianças acreditarem no papai Noel, hoje é politicamente incorreto – que babaquice! Porque estragar a fantasia numa luta inútil de querer vencer o capitalismo? O brilho nos olhos das crianças não é mais aquele que tinha no meu, no seu (mas e as crianças que não ganham presente do papai Noel? Vão questionar os politicamente corretos e eu vou responder, adote uma você, presenteie uma criança desconhecida, ou talvez eu diga apenas: cala boca!). O de quem acredita que alguém era bom o suficiente para nos presentear. O brilho dos olhos das crianças de hoje é o reflexo da tela do tablete.

Hoje as pessoas reclamam de amigo secreto… Reclamam por serem lembradas com mensagens no Whatsapp, mesmo as que são chamadas de copia e cola… As pessoas reclamam se você não liga… Reclamam… Reclamam… O clima de natal está se perdendo. Estamos nos livrando de sensações que tanto alegraram nossas vidas enquanto crianças. Tem tanta coisa ruim acontecendo, eu sei. Mas tem tanta coisa boa acontecendo também: você está vivo. E estar vivo é poder ter o poder de mudar nossas historias quando quisermos.

Hoje uma amiga postou uma imagem: todos à mesa e no celular. Deixando de falarem umas com as outras. Mas sabe o que percebi? Este ano as fotos de natal nas redes sociais foram poucas, foram mais singelas. Isso foi um sinal. Talvez, este natal tenha sido de conversa. De encontros. De novidades. De reinvenções. O meu foi assim, só postei sobre depois. Aproveitei cada minuto da minha primeira ceia oferecida em minha casa. Minha crônica de natal fica pronta sempre uma semana antes e eu só escrevi agora, na madrugada do dia 26. Este ano tivemos um natal de poucas expectativas e de mais realidade. A humanidade está mudando… Sim, está mudando e como já é sabido, toda mudança causa dor e caos. Só não sabemos se essa mudança será boa ou ruim, apenas que estamos num embate com o nosso próprio tempo. Se seu natal foi em volta de uma mesa rodeada de pessoas no celular, não repita isso no próximo ano, se reinvente, vá viver coisas novas. Temos nós os seres humanos a oportunidade de nos compartilharmos, porque nos trancarmos dentro de uma rede? Vamos nos tocar mais. Viver ao vivo nossa intensidade. Espero que seu natal tenha sido tão feliz quanto o meu.

Um grande abraço de urso para você que me leu.

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