Calar-se.

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Seria este um verbo moderno? Penso, seria este um verbo necessário? Nos dias de hoje fala-se um clichê, calar é ouro. Fala-se, não se pratica. Alias não se pratica muito… Diz-se muito. Fala-se muito. Acha-se muito. Opina-se muito. Critica-se muito. Espera-se muito. Deseja-se muito. Julga-se muito. Exibi-se muito. Se posta muito. Canta-se muito. Mas calar; cala-se nada. E sem calar-se, não se ouve e não se escuta. E assim sendo, não se interpreta… Por isso, não se entende as coisas da vida. Quem não se cala não se importa. Quem não cala, só consegue ver o todo pelo próprio ângulo, sem perspectiva nenhuma, gerando a possibilidade de desentendimentos que serão futuros monstros nossos espalhados vergonhosamente por aí. E viver num mundo falante, gritante é de causar fobias das mais loucas possíveis. Aos poucos, me calo. Silencio. Pouco a pouco renuncio a necessidade das pessoas de tanto falarem ou acharem que falam, e não falam nada; ao menos há mim pouco acrescentam. Resguardo-me de conversas a toas. Estou perdendo a mão. Já não sinto a vontade de me explicar. Principalmente quando discordam de mim. Falar sobre a vida é um assunto que me alegra, mas falar da vida sem profundidade, sem reflexão me cansa. Percebo que os que menos calados são os que têm uma necessidade de estarem acompanhados e que não conseguem conviver consigo mesmos. É precisa sempre uma “cervejinha”, uma companhia, uma musica pop, sexo aos montes. E terapia para nos iludir que estamos nos aceitando. Quero mais do que me aceitar. Já fiz isto, e todos deveriam. Eu quero me conhecer, me permitir, me expandir. E para isso, preciso me calar, porque só assim, vou conseguir ouvir o que o outro tem a dizer. Só assim, saberei o que posso e como vou sentir. É preciso cuidar, a cegueira dos falantes aliena, assusta. Nos restaurantes na hora do almoço percebe-se que as pessoas não param de falar nem comendo. Falam. Falam. Falam. Sem cessar. Voltando ao inicio, acho que tenho a resposta. Calar não é um verbo moderno, é antiquado… O moderno não é o verbo calar e sim um verbo inventado, é o tal “blablabla” e a que se refere esse “blablabla”, não importa. O importante é falar, aos quilos e sobre nada.

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