Assim caminha a humanidade

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Estamos muito longe de entender e exercer o senso de humanidade.

O que define o ser humano não é sua natureza simplesmente e sim a capacidade de praticar a humanidade que nada mais é que a junção de algumas características atribuídas a nossa espécie, são elas: o sentimento. de bondade, benevolência, em relação aos semelhantes, ou de compaixão, piedade, em relação aos desfavorecidos. Os dias se vão, quanto mais moderno o mundo se torna; mais a gente regride na definição de humanidade.

E são muitos os motivos que nos leva a descrença a cerca disso, será que já está na hora de começarmos a entrar em extinção? E o que me leva a refletir: qual o tipo de evolução é essa em que os valores estão trocados? Veja bem, quem tinha que nos defender, a polícia; por exemplo, nos agride e seja por ordem dos governantes ou sua própria desconfiança sem fundamento – por puro achismo. Quando penso nisto e vejo vídeos como o que vou descrever, dou mais trabalho para minha dentista – minha boca fica ainda mais tensa, o que me faz um mal tremendo. É difícil não ranger os dentes em dias em que a justiça se faz contrária e inimiga, em quem devia julgar e condenar bandido; julga e condena inocente. O que esperar da raça humana? Destruímos nosso próprio corpo com vícios, imagine o planeta. Que é uma raça linda eu sei. Que é capaz de gestos altruístas, generosos eu e todo mundo sabe. Mas temos de convir que esses gestos estão diminuindo com o passar do tempo (tenho a sensação de que o tempo do “olho por olho, dente por dente” está voltando), ou se não estiver louco, posso ir mais longe; talvez não estejam diminuindo, mas as atitudes contrárias estão se tornando mais perversas. Estamos assumindo a perversidade sem tanta culpa? Sem o pudor de antigamente?

Posso atribuir essa perversidade ao fato de o “politicamente correto” estar fora de moda? Gostarmos mais da vilã, detestarmos a mocinha virgem. Nos acostumamos com o homem branco/hétero/rico que salva a mocinha pobre e molambenta? Os negros ainda servem nossas casas, nos restaurantes e quando algum se senta a mesa e faz pedido podendo pagar, as pessoas em pleno século 21 estranham. Existe algum sentido para vivermos isto no agora, depois de tudo o que o mundo já viveu? Calma, calma! Não vamos pirar. Não acredito existir genocídio contra o “politicamente incorreto”, sendo ele parte do outro. Os dois têm sua beleza e necessidade para nossa existência. Mas a perversidade na defesa de um ou outro, o que a justifica?

Chegamos a um ponto triste, mas interessante: a perversidade humana. Voltaire dizia que, a política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano (grandeza do espirito humano, tratamos novamente do significado de “humanidade”). Voltaire tinha razão.

Sempre fui a favor de desconstruções, elas significam (ao menos para mim) uma reforma, a transformação e na maioria das vezes só reconstruímos o que é preciso, reformamos para melhorias e transformamos no sentido evolutivo; mas nem tudo pode ser desconstruído, precisamos de alguns paradigmas para existirmos enquanto sociedade – me pergunto, ou melhor, te pergunto: aonde vamos parar? Que tipo de humanidade é esta que, me parece, ser conivente com a perversidade da injustiça contra cidadãos de bem? Ainda assim me esforço para acreditar, para driblar o mau-caratismo do dia a dia. Não faz tempo vi um vídeo de um comunicador famoso dizendo que o bem sempre vence o mal (não posso negar que aquele vídeo me devolveu um tiquinho de motivação e esperança), mas dias depois vejo o vídeo que me motivou a escrever essas linhas: um jovem advogado recém formado foi agredido sem motivo algum pela guarda civil. Que resolveu enquadra-lo por ser negro e careca, por estar sentado na calçada com outros dois amigos conversando. O rapaz foi humilhado pelos policiais na delegacia, sem nenhum critério; só a suspeita descabida e elitista dos policiais. Se isto não é perversidade, já não sei mais nada. Na realidade suspeito não saber mesmo. Na entrevista o rapaz que nem cara de pobre tinha e de bandido muito menos, (brancos de olhos claros são pouquíssimas vezes enquadrados e isto é um fato, é estatística); com lagrimas e soluços narrava sua dor e o sentimento de humilhação que carregará para sempre. Quem paga pelo dano moral? Sentiu-se injustiçado como qualquer cidadão de bem se sentiria… Será que o bem sempre vence o mal? (Eu adoro clichês, mas esse está cada dia mais difícil de acreditar). Quero terminar com reflexão nos deixada por Sófocles em Édipo Rei: “Não é lícito julgar levianamente, como perversos os homens íntegros, assim como não é justo considerar íntegros os homens desonestos”.

A imagem pode ter direitos reservados – foi tirada aleatoriamente da rede.

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