Aquarius – o filme

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Abracei e me despedi da Mari perto da Praça 14 bis e segui para casa, meu coração batia descompassado e os pensamentos confusos… Ao chegar a meu prédio não resisti e de entreguei ao desejo de uma cerveja gelada na pizzaria (mesmo sem poder beber). Eu estava receoso em assistir o filme Aquarius com a Sonia Braga e grande elenco por conta da polemica em torno que, pensei ser só mídia. Ali sentado naquela mesa e tomando aquela cerveja fiquei me pensando e pensando:

Quem é essa atriz? Quem é Sonia Braga? Sim, eu sei quem é. Mas mesmo assim me pergunto e te pergunto quem é Sonia Braga? Sonia Braga é Sonia ou é Clara (a protagonista)? Sonia é Clara ou é Sonia? Será que a Clara era a Sonia? Tão real que não sei distinguir.

Aquarius é a vida que fica. O palco onde tudo acontece – eu diria que é o espaço do tempo e que pouco a pouco vai se deteriorando. Aquarius é a vida que abandonamos? Que trocamos? Que demolimos em busca de novos ventos, os ditos: novos ares? A chamada modernidade?

Ou seria Aquarius uma espécie de paralisia na qual nos movimentamos e passamos?

Foram tantas as inquietações. Tantos os devaneios que angustiaram meu peito quando o retrato metafórico e oportuno sobre o que vemos diante dos nossos olhos diariamente terminou… Se bem que não terminou… Continua… Está em cada esquina e dentro do nosso lar, lugar de todos as historias e segredos que passam com o tempo e ficam impregnados no ar. Aquarius é o prédio que habitamos. Somos este prédio. Luta valente, da mais genuína coragem travada a de Clara em querer continuar existindo; que não se conformou e não aceitou a possibilidade da vida ser ainda mais passageira do que é. Que fosse substituída. Recife e gente da gente… Trilha sonora esplendorosa. Que delicadeza devastadora. Até agora não consegui entender o filme, minhas ideias (que é tudo o que tenho) ainda são um tipo de ensaio. Contudo, como poderia entender Aquarius se ainda não entendi a vida? Oras quem entende? “Toca Bethania pra ela, mostra que você é profundo”…

Consegui enfim, me aproximar de um drama contundente e encantador que trata do câncer instalado nos nossos dias, na sociedade como um todo; um câncer que nos consome devagarzinho; um câncer de agora, moderno e alienante – fruto dessa vida liquida que temos hoje: a troca. Aquarius é uma afronta precisa. Fui embora do cinema angustiado pela excelência da obra e pelos cupins que quase não me deixaram dormir.

 

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