Ansiosos de plantão

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O bom de conversar com gente ansiosa é que a gente consegue descansar as cordas vocais, mas irrita! Eles falam sozinhos o tempo todo e não param. Quando a gente mexe algum musculo facial esboçando a intenção da fala, eles interrompem antes mesmo da gente começar… e o pior de tudo é que eles tem uma vaga sensação que tem problemas e que precisam de ajuda psicológica e psiquiátrica, mas muitas vezes optam por não se cuidarem.

Interessante ver que eles perguntam e eles mesmos respondem, sem te dar chance. Eu gosto de falar, mas nem de longe como essas pessoinhas… sei ouvir sem ficar batendo o pezinho, balançando a perna pensando no que dizer. A ansiedade faz parte do ser-humano, não perdoa ninguém, em uns mais e outros menos, é parte do pacote.

Entretanto, existem meios de controlar, eu uso a meditação, medicação e a terapia. A medicação não resolve o problema, apenas burla aquilo que não queremos ver, já a psicoterapia vai na tratar na raiz. É chato estar com alguém incapaz de silenciar, de focar no agora, gente impaciente com grandes dificuldades em lidar com o novo. A pausa também é necessária, caso contrário não existiria. O que seria de uma frase se não fosse a vírgula, o ponto e vírgula e o ponto final? Existe um espaço entre uma palavra e outra que é preciso respeitar.

Você já percebeu que essas pessoas se interessam pouco por você?

Numa conversa a gente é o que menos importa para elas e repare as pessoas verborrágicas sabem de tudo. Dificilmente você vai contar (quando te deixam falar) alguma peripécia, anedota que eles também não viveram, estão vivendo ou conhecem alguém que já viveu ou que está vivendo. Pergunto-me porque essas pessoas vivem o tempo todo no amanhã? Quando aprenderam isso? Mas quando a pessoa é ocupada e tem o dia atarefado, até da para entender. E quando se trata de um desocupado ou meio ocupado ansioso demais?

A maioria das pessoas que eu conheço que são assim tem uma gigantesca dificuldade com mudanças, nunca terminam o regime, não param de comer, de fumar, de se alcoolizar, de reclamar, de bater a caneta na mesa e pior, todos têm total consciência do seu problema, vivem dizendo “amigo, você me conhece, sou super ansioso não consigo mudar. E eu sugiro sempre a terapia, mas o dinheiro não dá ou eles acham difícil falar de si mesmos – engraçado que a grana da droga nunca falta e na mesa de bar o que mais fazem é falar de si mesmos… Não querem se tratar, isso sim, é um medo imensurável do que podem encontrar. E passam os dias acorrentados como se viver dessa maneira fosse benéfico: não é! A ansiedade vai te destruindo pouco a pouco, acaba com relacionamentos, abala sua autoestima, te faz engordar, sentir calafrios, causa taquicardia, sudorese e uma porção de ineguranças que muitas vezes te impedem de conseguir se expressar; além de acabar com suas unhas.

Gente que não se aquieta assusta. Entre os tantos tratamentos terapêuticos, medicamentosos e até religiosos e filosóficos, ainda tem falante que insiste em ser desagradável. Não necessariamente são pessoas sem conteúdo, mas adoram uma “mentirinha” vale tudo para ter assunto – são grandes contadores de histórias. Sei não, eu não gostaria de ser assim – ser mais bem tratado por educação do que por consideração. Momentos de solidão São necessários, a quietude da manhã, sentar num banco de praça em silêncio, ouvir o barulho do ventilador de teto, do ar condicionado. Sentar e admirar a linha fixa do horizonte respirando fundo. Inspira… expira… inspira… respira… inspira… expira… respira… assim… isso… devagar… ouve sua respiração… silencia… se acalma… calma… a vida é aqui e agora, deixe o amanhã para amanhã. Se poupe e nos poupe.

Por Lucas Felix
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