Amor ou vazio?

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Admiro os que não vivem sem um amor, sem estar apaixonado. Encantam-me os que precisam do oxigênio do outro para conseguir respirar. Admiro os que precisam da conchinha para dormir tranquilos. Admiro, admito!  Só não consigo viver assim…

Fala-se tanto na busca por amores perfeitos, “finais felizes”; musicais inesquecíveis. Deseja-se tanto o “para sempre” e  o “ponto final”… mesmo em dias como os de hoje, de uma realidade descartável que; dia a dia torna-se um padrão socialmente aceito.

Qual o problema de viver muitos amores ao longo da vida até encontrar aquele que aquieta?
Problema nenhum conhecer alguns travesseiros antes de escolher um. Eu diria, aceitar mais um sobre a nossa cama. Existem os relacionamentos que assentam, chegam e nos aquieta. Despretensiosamente fica, flui. É amor.
Já outros conseguem viver histórias mais espaçadas, a longo prazo e quando terminam preferem se recolher, refletir, viajar e entender o que não funcionou. Só depois de um momento intimo e introspectivo é que se abandona a escolha sabática e então voltam ao “mercado de buscas”, mais experientes e exigentes.

Acredito nos relacionamentos amorosos, só não acredito que sejam necessários para todos, deixe-me recolocar: existem pessoas que podem viver até a ultima gota de seus relacionamentos e de repente perceber que não os deseja mais. Que preferem a companhia de si mesmo e de alguns bons amigos, do que a de alguém controlando sua vida como se fosse uma religião. A vida não pode ser resumida a isso, a busca pelo par perfeito – porque sinto desapontar, ele não existe.

As vezes me pego tentando entender uma amiga, casou-se cedo. Separou-se tarde. Não conseguiu ficar nem um ano solteira e já namorou outra vez, um namoro que mais parecia um casamento. Não deu certo, como já era sabido e em menos de seis meses já estava namorando novamente… namorando tão somente não; amando. Será que as pessoas estão amando genuinamente ou apenas preenchem o vazio que as habita?

O que leva uma pessoa a passar a vida buscando a felicidade fora dela? A colocar sua felicidade nas mãos de outra pessoa?

Na realidade existem muitas respostas para esses comportamentos se a psique for analisada. E não é esse meu intuito aqui… Não agora.

Amor não pode ser busca, amor é encontro. É acaso – reconhecimento. É de repente e acomoda-se sem pedir permissão e aviso prévio. O amor vem – ou não, desde que você já se ame, já se aceite e principalmente; que já seja feliz.

Quando me relaciono sou do tipo bem clichê: beijo, amo, trago pra minha vida, mando mensagem varias vezes ao dia; cozinho – apresento amigos, conheço a família. Quando acaba choro, sofro, esqueço, me recolho e me refaço. Aprendo e sigo, volto pra mim mesmo. Me presenteio com livros, cinema, bons vinhos e amigos. Me dou o tempo essencial para recomeçar. Já uns terminam um e emplacam outro. Não consigo, não dá – meus sentimentos são sinceros e intensos, além, de respeitáveis.
Essa história de relacionamento amoroso requer energia demais, investimento demais, esforço pra burro, e hoje, eu tenho bastante preguiça  e portanto, admiro os ativamente apaixonados… Contudo, ainda me assusta alguém não conseguir apreciar um bom vinho saboreando um bom gorgonzola e damasco secos na melhor companhia do mundo: si mesmo.

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