Ainda somos os mesmos (crônica da virada)

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Palavras muitas e são elas de otimismo, de positividade, esperança, alegria e saúde… São muitos os desejos para o ano que vira a esquina e não posso esquecer da famosa “foco, força e fé”.

Ah, as expectativas!

Sem elas a gente não vive sem infelicidade… A gente prega a felicidade, mas vamos combinar que para muitos a infelicidade é bem vinda. Espera-se demais de tudo, o tempo todo. Acho eu, que estou envelhecendo antes da hora, tenho colocado cada vez menos expectativas nas coisas, nos processos e principalmente nas pessoas. 2018 me ensinou que a vida é inesperada, é um fio de gasolina e a gente nunca sabe quem vai deixar cair acidentalmente uma bituca de cigarro, acender um fósforo de propósito para ver o posto pegar fogo ou quem vai limpar a gasolina para que o pior não aconteça.
Aprendi que não adianta quanto tempo passe, a gente não conhece as pessoas e elas vão nos decepcionar… Algumas valem a pena insistir e já outras, quem disse que a gente precisa conviver? Risca da agenda e segue, não se puna.
2018 foi um ano de energia densa, pesada mesmo… A gente pôde ver o interesse egoísta crescer de forma exorbitante na nossa sociedade que parecia estar em evolução, no entanto, enquanto algumas dão um salto a frente, a brasileira volta retrógrada para os anos de 1950.

Então não se deve ter expectativas?

Se deve, se pode, se tem. É saudável sim, desde que a margem do erro exista e a maturidade para enfrentar o que não sair como o planejado esteja dentro de você. A expectativa deve existir, desde que a resiliência ande de mão dada a ela.
Desculpem a sinceridade, 2018 foi um ano triste, todos perdemos. E me pergunto como 2019 pode ser melhor se ainda estamos divididos e não queremos abrir mão de nossas convicções?
A esperança só existe porque há a carência de alguma coisa. Que maravilha seria se a gente não vivesse de esperanças e expectativas. 2019 não será diferente, estamos esperando o bonde que vem na esquina para subirmos os mesmos. Os mesmos trabalhos, as mesmas militâncias idiotas no facebook, os mesmos papos de botecos, estamos nos mesmos relacionamentos falidos… Vamos entrar 2019 acovardados, temerosos, mas porque é bonito: vamos ter esperanças e escrever, dizer, meia duzias de palavras de autoajuda para conseguir nos iludir de que o ano será diferente. Não vai… ainda somos os mesmos.
Faz tempo eu parei com os planos para o ano seguinte, mas esse ano foi tão intenso que resolvi fazer unzinho.

Quer saber qual é meu plano para 2019?
Me recuperar de 2018. Uma virada feliz por nada para você.

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