Adorável cotidiano

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Luiza e o pai.

Sempre que observo a vida ela me presenteia com cenas lindas do cotidiano… Subi pra piscina para pegar um solzinho e refrescar o inicio de outono mais quente das ultimas décadas e me deparo com pai e filha na piscina, brincando. Ambos orientais. “Filha de casal separado” – pensei. Muito comum no prédio em que vivo. Logo mais a frente pelo papo deles confirmou-se, pais separados. Esse era o domingo com o pai. Ele ensinada carinhosamente a filha a nadar… Movimento por movimento, toda paciência do mundo. O nome dela eu descobri entre um “filha” e outro, Luiza. O dele, eu só sei que era pai. Aos poucos ela começava a esboçar o aprendizado. Ele orgulhoso. Ela se bateu e ele disse a ela com voz firme que teria de ter cuidado para não me molhar.

Sempre bom dar limites aos pequeninos. A principal diferença de comportamento entre as crianças e a gente que é adulto, está justamente na maneira de ver as coisas. Para Luiza, ela brincava e para ele, ela treinava. Ela leve e ele responsável. Ela falante, como falava a Luiza! Ele só o necessário. Cenas assim me tiram um sorriso bobo… Descontraído. Sincero e feliz.

Família baiana

No dia anterior fui agraciado com outra cena enriquecedora, minha equipe eu atendemos um baiano de oitenta anos e sua família, estava com o filho, com a nora. Sua esposa e o neto. Era um senhor bem humorado e cheio de vida, de sabedoria e com todo aquele sotaque que faz a gente querer morar na Bahia. Ficou todo feliz que eu tinha planos de ir à Bahia em breve. Disse que “lindo” (disse isto sem preconceitos) como sou as baianas iam ficar loucas… Acho que ele não percebeu que eu prefiro os baianos. Percebia-se que ele pertencia a uma classe privilegiada e, no entanto, de uma simplicidade e simpatia risonha. Aliás, simpatia pura. Ele ainda confessou que o homem só manda no relacionamento até o casamento, depois eles são dominados pelas esposas e que não mandam “porra nenhuma”. No final, agradeceu o atendimento e deixou todos nós muito alegres e gratos por cruzar com gente como ele. Mal sabia ele que a gente é que tinha o que agradecer. Cenas assim, ricas por sua delicadeza são capazes de devolver a fé no ser humano, na vida.

Voltando a Luiza e seu pai. Antes de saírem da piscina o pai dela tirou um cochilo na passadeira, enquanto eu escrevia  e ela nadava metade da piscina sozinha e ainda conseguiu boiar.  Pena ele não ter visto, mas acho que a vida tem um pouco disto, os pais ensinam sem garantia de presenciar; eles confiam. Logo pai e filha se foram e eu fiquei, acredito que eles tinham muito que fazer, afinal, um fim semana é pouco para resgatar o amor que é impedido de ser vivido diariamente por conta de uma separação.

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