A subjetividade dos significados

by

Dizem que sou “louco”, chegam a me classificar o mais “louco” entre os conhecidos… Mas louco é quem o diz… louco, quem não? Se bem que sim, eu prefiro ser dito louco do que normal, até porque, de perto quem é? Nem louco, nem são. Toda loucura tem lá sua dose de razão. O passar dos dias, vai revelando nossas nuances. A gente passa tanto tempo se importando demais e quando percebe, a importância mudou sua lógica.
Já quis mudar o dicionário, construir manuais, descontruir a gramatica… quis tanto ter os cabelos lisos e hoje tenho aprovado ele mais cacheado, tenho gostado dele mais cheio; mais eu. Dificilmente eu sairia de casa sem corretivo e tem dias que eu até esqueço e está tudo bem, tudo certo, ando com mais certeza de mim. Manias da gente! Nunca gostei do meu nariz e por hora ele me parece menos feio.
Sei lá, sofrer para quê? A gente tem tanto medo de tudo e de repente percebe: não temos nada a perder. Perder é mesmo um verbo inevitável. O mais injusto, passamos a vida perdendo. Perdemos amores, dinheiro, coisas, documentos, a identidade sempre que nos apaixonamos; perdemos dias de sol. Perdemos a temperatura da chuva. Perdemos saúde, a idade, perdemos amigos, gente querida, empregos, grandes chances e num piscar de olhos, no rompante do inesperado perdemos a vida.
Se bem que toda perda é sinônimo de ganho, perdemos a idade, mas ganhamos experiencia e com ela menos relevância para os impactos da vida. Perdemos os amores, ganhamos outra chance, perdemos coisas e ganhamos espaço, perdemos dinheiro e ganhamos coisas, nos perdemos e ganhamos novos reencontros com a gente mesmo. Perder a vida será um ganho? Talvez seja… ganhamos a liberdade genuína, a de simplesmente desaparecer.
Essa marca de expressão que vai aparecendo ao redor dos olhos depois dos trinta, é fato, vai permanecer e se acentuar dia após dia. Perdas tantas, ganhos outros! O passar do deus tempo, leva muito da gente, e deixa doses imensas de melancolia, sim, o deus tempo passa deixando um baú de recordações de tudo que fica cravando no próprio tempo… Só então, reparamos as nuances diferentes das pessoas, das coisas, das importâncias, percebemos linhas paralelas, a subjetividade dos significados, mesmo os inglórios. Ando acreditando um pouco mais, tenho sentido mais fé na vida. Tenho sorrido mais, e de coisas tão menores. Essas reflexões fazem a gente se levar menos a sério. Se olhar no espelho sem reprovação, sem culpas, sem acusações. É ótimo! Fico pensando se estou sendo mais eu nos últimos tempos ou é o deus tempo em sua sábia passagem é que vai efetivamente remediando. Olhar o mundo com o olhar das borboletas, pequeninho, rápido e curto – que aproveitam mais o que veem e podem ter, por estarem condenadas ou presenteadas a sair no melhor da festa, no auge de sua beleza, só que não sem aproveitar até o último minuto, sem encantar os olhos de quem as vê… se isso for loucura, louco é quem me diz que não é feliz…feliz.

Comentários

comentários